Berlengas, uma Reserva Natural
que pode visitar, fazendo um percurso pedestre, e apreciar com todas as maravilhas que uma reserva natural tem para oferecer. Vai sair, e depois também chegar, pelo Bairro dos Pescadores – mais propriamente pelo Forte de S. João Baptista para fazer um trajecto mais ou menos de uma hora de apenas um quilómetro. Parece-lhe pouco? Olhe que nem tudo o que parece é e este caso será um deles. Vai querer chegar ao planalto depois de um declive imensamente elevado. Maravilha! Vai ver, finalmente, o Planalto do Farol e a Cova do Som.
O Arquipélago das Berlengas é português, olé!, composto por ilhas graníticas, situado no Oceano Atlântico, a oeste do Cabo Carvoeiro. Pertence à freguesia de São Pedro, em Peniche, sub-região Oeste e foi a primeira área protegida do país quando, em 1465, o rei Afonso V de Portugal proibiu a prática de caça na ilha principal das Berlengas (Berlenga Grande. Depois também há a Estelas e a Farilhões). A Reserva Natural das Berlengas é considerada Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO desde 30 de Junho de 2011.
De olho nas Berlengas…
Armeria berlengensis, já ouviu falar? Esta é uma das plantas endémicas, uma espécie de arbusto cheiinho que dá uma flor redonda e com pétalas juntinhas, que nasce nas rochas, originária da África do Sul, da Reserva Natural das Berlengas.
Está por todo lado como que a alertar para a importância de não se introduzirem animais e plantas em locais onde eles não existem naturalmente, pois alguns podem tornar-se invasores.
Sabe do que falo? Falo, pois claro, do chorão-das-praias Carpobrotus edulis, de folhas carnudas e suculentas com aquela flor de textura acetinada que, em uma das suas variantes cores, a purpurescente faz-nos derreter de vontade de a cortar.
Cuidado!
É que esta Reserva Natural das Berlengas possui especificidades com que não contamos: durante o percurso é provável que alguma lagartixa de Carbonell Podarcis carbonellii berlenguensis se agite bem vaidosa à sua passagem – por isso não a pise e mantenha-se sempre no trilho. Porque não pára um pouco para vê-la a rabear? Olhe que linda é a lagartixa!
O Farol da Berlenga
No topo da ilha localiza-se o Planalto do farol, assim designado visto aí se situar o farol do Duque de Bragança, este tem cá uma sorte, conhecido apenas como farol da Berlenga, construído em 1840. Inicialmente era alimentado por combustíveis líquidos (primeiro azeite e depois petróleo) mas, entretanto, terá sido electrificado em 1926.
Desde 1985 que é automático e a partir de 2001 funciona com energia solar. O farol ainda mantém a presença de faroleiros. Não é maravilhosa esta Reserva Natural das Berlengas? E ainda não se apercebeu de que está no topo da ilha e é um sortudo mesmo – é que o céu está limpo hoje, não é todos os dias assim, e pode apreciar e avistar, com aquela serenidade a que a Reserva Natural das Berlengas convida, as Estelas e os Farilhões.
A propósito,
Já sabia que o Forte de S. João Baptista foi construído no reinado de D. João IV? Sim, foi, e recorda-nos o episódio com a esquadra espanhola do almirante Ibarra, em junho de 1666, em que se notabilizou o cabo Avelar Pessoa. Mais tarde, participou em incidentes no decorrer das invasões francesas, bem como nas lutas entre absolutistas e liberais.

Cuidado com as indicações relativas às espécies: num site do Ciência Viva deve haver correção científica e neste texto, onde se diz “uma das plantas endémicas, uma espécie de arbusto cheiinho que dá uma flor redonda e com pétalas juntinhas, que nasce nas rochas, originária da África do Sul, da Reserva Natural das Berlengas.” está a falar-se do chorão, que é uma planta invasora, originária da África do Sul, que está a causar problemas às espécies endémicas (naturais e que ocupam um pequeno território, neste caso apenas aquele arquipélago). A imagem também é do chorão…
Se até a imagem, escolhida a dedo, confirma que é o chorão – está tudo óptimo, Carmo Pereira, e sem correcção.