Na indústria extractiva do azeite, como em qualquer outra actividade industrial, produz-se avultados efluentes que, se descurados, representam numa forte poluição ambiental. Neste caso em especial sobre a produção de azeite, o efluente produzido designa-se águas ruças. É necessário, então, que a indústria em questão saiba como avaliar as suas características quantitativa e qualitativamente.
Deve, igualmente, definir as medidas preventivas que pode implementar para reduzir os caudais de efluente e a carga poluente na origem. Em muitas situações, basta aplicar uma gestão quase doméstica – tal como o combate ao desperdício de água e de produtos, a reutilização de águas para usos menos exigentes ou instalar sistemas em circuito fechado.
Veremos o caso do azeite. De salientar que as soluções, mais à frente descritas, chamo-lhe tratamento, são apenas algumas das que estão comprovadas, pela prática, assegurarem bons resultados.
Extracção do azeite
Aplicando várias técnicas que vão desde os sistemas clássicos de prensas até aos actuais sistemas contínuos, a actividade dos lagares resume-se à obtenção de azeite a partir da azeitona.
O efluente produzido – águas ruças – é uma mistura de água de vegetação do fruto e efluentes líquidos do processamento – resultando em um líquido escuro com partículas em suspensão, polpa de azeitona, substâncias peptídicas e azeite e que pode ter as seguintes origens:
- água de armazenamento e lavagem de azeitona;
- água da azeitona que escorre na espremadora;
- água do escaldão da azeitona;
- água de caldeação e lavagem do azeite;
- águas de lavagem dos equipamentos.
De que são feitas as águas ruças?
O principal efluente do azeite, as águas ruças, possuem uma composição complexa – caracterizam-se por serem ácidas, com elevado teor em matéria orgânica e sólidos e também pela presença apreciável de gordura, polifenóis, taninos e sulfatos. É importante referir que a presença de compostos fenólicos dificulta os processos biológicos de depuração devido à sua actividade antimicrobiana.
Dos vários factores que podem fazer variar a constituição química das águas ruças podem referir-se a variedade da oliveira, o estado da azeitona, o equipamento usado no lagar e a actuação do operador.
Quais as medidas preventivas a tomar?
Actualmente, a eliminação ou redução e depuração das águas ruças faz-se a partir dos seguintes processos:
- utilização do efluente na agricultura;
- concentração das águas ruças por ciclos térmicos;
- realização de lagoas de evaporação;
- aproveitamento para painéis solares;
- digestão anaeróbia;
- sistemas contínuos de duas fases.
Iniciativas
Agricultores produtores de azeite, conscientes do grau poluidor do efluente que é as águas ruças, têm algumas iniciativas interessantes com o objectivo de minorar o seu impacte ambiental. Trata-se, bem visto, de uma responsabilidade social urgente.

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