Gastar com o ensino superior não está nos planos deste Governo: esta é a conclusão do relatório Education at a Glance onde se constata que o nosso país continua abaixo da média da OCDE conforme digo eu – o site Expresso anuncia outra coisa.
Além de um capítulo dedicado ao financiamento, o Education at a Glance é um documento com mais de 500 páginas e centenas de indicadores estatísticos sobre salários, tempos afectos às matérias escolares e educação em geral.
Será mesmo culpa da crise financeira o facto de em Portugal se gastar menos por aluno no ensino superior do que no resto da OCDE?
Note-se que os dados revelam dados entre 2008 e 2011, ou seja, a despesa por estudante universitário e politécnico foi das que mais caiu (quase 10%). Portugal não foi caso único, refere, mas apresentou a quinta maior diminuição entre os países da organização. E depois de 2011 não há dados? É que se antes era assim agora, como se sabe, já que é um facto que este Governo andou a fazer lipoaspiração de gorduras naquilo que é essencial está muito, imensamente, pior. Se antes poderíamos apontar a crise económica como principal responsável – tal não poderá acontecer na actualidade.
Os números do relatório falam-nos de um gasto absoluto de sensivelmente 1400 euros por estudante em Portugal, números sempre relativos a 2011 e ajustados à paridade de poder de compra e sem contar com as actividades de investigação e desenvolvimento. Porquê, a I&D não é relevante?
O relatório faz também uma comparação de valores com a média na OCDE onde se gastaram cerca de 7420 euros por estudante no ensino superior.
Trocando por miúdos o que dizem do tal relatório, porque eu não o li, o total de despesa pública em educação superior estava, em 2011, em 1% do PIB contra uma média de 1,4% – tanto na OCDE como na União Europeia a 21.
Portugal é também imbatível nas qualificações mais baixas – a par do México e da Turquia
Somos atrasadinhos e lentos, diz o relatório, não especificamente a respeito do ensino superior mas do ensino em geral. A população portuguesa, no que concerne a habilitações, está atrasada e lenta comparativamente aos países da OCDE. Mas, já agora, esta informação de que só apenas 38% dos portuguesinhos (situação idêntica ao que se passaria no México e na Turquia de então) possui o ensino secundário completo também se refere a 2011?
Vamos lá recuar ainda mais porque os estudos não são para hoje mas só para ontem que é para tapar as nódoas. Em 2000 só havia 9% de gatos pingados portugueses com um curso de ensino superior. Alto! que afinal também há dados para 2012 que mostram que mais 10% meteram-se a estudar de canudo. E mesmo assim na OCDE um terço da população possui estudos superiores.
Mas o mais fantástico sumo deste relatório é a enfase dada aos salários e à empregabilidade como vantagens indiscutíveis de se apostar no ensino superior. Coloco o dedo no ar para deixar uma questão: já não estão a analisar o nosso Portugal, pois não?

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